GUIA DE LEITURA

Se você me perguntasse quais textos ler, eu diria para CLICAR AQUI e achar uns 20 e poucos que eu classifiquei como os melhores. Mas vão alguns de que eu particularmente gosto (e que fizeram algum sucesso):

Caritas et scientia
(as saudades da minha escola)
A-Ventura de Novembro
(o retrato de um coração partido)
Vigília
(os sonhos nos enganam...)
Sairei para a boate e encontrarei o amor da minha vida
(ou "elucubrações esperançosas")
(a afeição por desconhecidos)
A tentação de Mãe Valéria
(trago a pessoa amada em três dias)
A nostalgia do que não tive
(a nostalgia do que não tive)

domingo, 8 de agosto de 2010

O QUE ESTÁ POR TRÁS DESSES OLHINHOS?



A foto é de "Bruninho", filho de Eliza Samudio com, supostamente, o goleiro Bruno do Flamengo.

Não consegui desgrudar, ainda que somente em pensamento, meus olhos dos olhinhos desse bebê. Seu olhar curioso, como o de todo bebê, ainda um pouco assustado com o mundo novo que se revela, ainda meio sem entender a si próprio e ao que lhe cerca.

Descobrir o mundo talvez seja uma das melhores experiências, em qualquer momento da vida. Um bebê que vê as coisas pela primeira vez, absolutamente inéditas, um adolescente que passa a ver o mundo potencialmente sob suas rédeas, um adulto já desbravador de suas próprias descobertas, ou um idoso, na serenidade da releitura da vida.

Temo o que será a descoberta do mundo para esse menino. Saber que é filho de um acidente, nascido na contingência de uma orgia, rebento de um arrebentamento: desejado pela mãe, indesejado pelo pai, que comandou inclusive sua tentativa frustrada de aborto.

Saber - e o quanto dói escrever essas linhas - que sua mãe nunca mais poderá lhe dar um carinho, um cheirinho, um abraço gostoso ou falar-lhe naquele tom carinhoso-fofo-brincalhão, tipíco de quem conversa com bebês... aquele tom que, se de certa forma nos remete ao ridículo não-ridículo de ser criança, é também uma lembrança inefável da infância, das mais gostosas.

Saber que a ausência da mãe não é por acaso, embora inelutável. Nem a do pai, embora não inexorável. Saber que se hoje está vivo também não é por acaso, como pode parecer, e nem por sorte. Sobreviveu por um ato de clemência do pai, que não lhe permitiu o mesmo destino da mãe. Agradece seu existir ao gesto humanitário de um monstro, que lhe deu vida duas vezes: ao conceber e ao conceder.

Bruninho não por acaso tem esse nome. O que se pretendia uma homenagem de sua mãe, agora é um estigma, um monumento macabro que ele carrega compulsoriamente.

O mundo lhe é pesado desde cedo e seus olhinhos assustados parecem viver um pesadelo. Se eles não choram porque ainda não se deram conta, eis aqui as minhas lágrimas.

3 comentários:

bia disse...

Drummond, gostei muito do seu blog, principalmente desse texto. Você escreve muito bem, parabéns!! Beijos, Bia Cunha (amiga da Júlia)

Elizandra de Moura disse...

Drummond, sou Elizandra Moura e em nome da avó do Bruninho, Sônia de Fátima Moura venho agradecer essas palavras, choramos ao ler essas linhas pois realmente retrata de uma forma real o início de vida desse bebê, agradecemos seus sentimentos pois através desses é que nos fortalecemos para lutar por justiça, para que esse infeliz acontecimento não fique apenas nas páginas arquivadas dos processos. Saiba que esse bebê está em boas mãos, confie nisso pois essa avó sempre vai dar o que lhe foi tirado. O Bruninho está com 6 meses, forte, brincalhão, inteligente e até já senta sozinho!
Cremos que em dias próximos poderemos te mandar uma foto dele em especial para que veja e tenha como recordação esses maravilhosos olhinhos!!
Beijos em seu coração!

Felipe Drummond disse...

Elizandra, agradeço suas palavras e fico feliz com as boas notícias sobre o bebê. Tudo de bom para vocês e terei o maior prazer em receber a foto.