GUIA DE LEITURA

Se você me perguntasse quais textos ler, eu diria para CLICAR AQUI e achar uns 20 e poucos que eu classifiquei como os melhores. Mas vão alguns de que eu particularmente gosto (e que fizeram algum sucesso):

Caritas et scientia
(as saudades da minha escola)
A-Ventura de Novembro
(o retrato de um coração partido)
Vigília
(os sonhos nos enganam...)
Sairei para a boate e encontrarei o amor da minha vida
(ou "elucubrações esperançosas")
(a afeição por desconhecidos)
A tentação de Mãe Valéria
(trago a pessoa amada em três dias)
A nostalgia do que não tive
(a nostalgia do que não tive)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

EPOPÉIA.

Marcílio era de família pobre,
era mais um que não tinha o que comer.
Não tinha terra, mulher ou cobre,
quase um nada, só entendia de sofrer.

Tendendo a zero, sabia esse Marcílio,
que seu caminho teria de traçar.
Não contava com ninguém para auxílio,
à própria sorte, decidiu se lançar.

Foi pra cidade, onde a terra era mais "fértil".
Mas sua enxada, não soube onde deixar.
Pegou em armas, carregou-as de projétil.
Seu negócio, ali, era matar.

O dedo no gatilho era senhor de destinos,
para trabalhar, era só o bolso inchar.
Nessa vida de final de intestino,
o clandestino pensou em prosperar.

De pé na rua descobriu a loteria,
onde com sorte poderia se acertar.
Aquela vida de bandido largaria,
em sua a terra a todos iria ajudar.

Eis que a sorte bateu à porta,
e a Marcílio resolveu premiar.
Largou o moço de vez a vida torta,
pelo sertão voltaria a se enfiar.

Quando então voltava ao velho chão,
a Dona Sorte resolveu evaporar.
Bateu o ônibus num minicaminhão,
e o desastre foi um baita de um pesar.

Na colisão espalharam-se vários corpos,
e o tal dedo de Marcílio foi pelo ar.
Se o rabecão veio levar toda a tragédia,
um gavião o pobre dedo fez devorar.

E o dinheiro da ventura de Marcílio,
não conseguiu em ajuda se converter.
Seus conterrâneos que precisavam de auxílio,
na fome grande permaneceram a esmorecer.

Foi enterrado como indigente num cemitério próximo ao local do acidente. Andava sem documentos, pois era criminoso procurado pela polícia da cidade onde tentou fazer carreira no mundo sinuoso que preferiu à honestidade insustentável dos miseráveis. Ninguém se interessou por saber quem era para lhe dar um enterro digno. Até a faculdade de medicina mais próxima dispensou o cadáver desfigurado e sem um (mortífero - não sabiam eles) dedo.

3 comentários:

João Manoel disse...

Faroeste Caboclo 2! Haha, gostei.

Julia disse...

Po Ficou muito legal =)As rimas estao muito bem feitas ;)
beijinhos ;**

mari mari disse...

wow O.O profissional =D

=*