GUIA DE LEITURA

Se você me perguntasse quais textos ler, eu diria para CLICAR AQUI e achar uns 20 e poucos que eu classifiquei como os melhores. Mas vão alguns de que eu particularmente gosto (e que fizeram algum sucesso):

Caritas et scientia
(as saudades da minha escola)
A-Ventura de Novembro
(o retrato de um coração partido)
Vigília
(os sonhos nos enganam...)
Sairei para a boate e encontrarei o amor da minha vida
(ou "elucubrações esperançosas")
(a afeição por desconhecidos)
A tentação de Mãe Valéria
(trago a pessoa amada em três dias)
A nostalgia do que não tive
(a nostalgia do que não tive)

segunda-feira, 9 de março de 2009

CÂMERAS NO ELEVADOR.

Não mais serei o mesmo diante do espelho: não farei caretas com língua para fora, olhos envesgados ou cara retorcida. Não espremerei espinhas, não farei pose para me sentir bonito, não expirarei ar quente perto do vidro para embaçá-lo e depois escrever ou desenhar alguma coisa com o dedo. Não ensaiarei mais discurso, e nisso se vai minha oratória.

Não mais apertarei todos os botões para ficar ali só mais um pouquinho, curtindo o momento de transgressor.

Não mais pularei com os amigos e nem balançarei os quadris para que o elevador trema.

Não mais colocarei a mão entre as aberturas da porta pantográfica, como se brincasse com a sorte diante do aviso em contrário "mantenha-se afastado".

Não mais apagarei as luzes sorrateiramente, para fingir-me num filme de terror ou para assustar minha mãe. Nem apertarei o botão de emergência para simular que o elevador parou.

Não mais beijarei no elevador, aproveitando a privacidade e curtindo a adrenalina de o elevador poder parar e sermos surpreendidos.

Não mais me debulharei como um maníaco sobre a tal lei municipal de 1996 e as não sei lá quantas UFIRs cominadas aos infratores, o que talvez tenha sido meu primeiro contato com algum texto legal, daí alguma obsessão.

Não mais começarei a me despir antes de chegar em casa, quando o calor for muito, quando o desconforto da roupa for demais ou quando for preciso agilizar o processo para satisfazer o quanto antes imperativos fisiológicos invencíveis.

Não mais encostarei a cabeça na parede do elevador olhando para baixo nos dias tristes, ou olhando para cima nos dias cansados, nos quais o trajeto do térreo até o nono andar é um precioso momento de descanso.

Não mais viverei genuinamente a solidão do elevador, nem sua introspecção típica ao olhar para o nada daquelas paredes cubiculares, porque o nada estará me fazendo companhia e se fazendo perceber, apesar de ser nada. É que nessas horas o nada se faz tudo, e me olha, e me observa, e me constrange.

Tentarei encará-lo. E, quando olhar para o nada materializado em câmera, verei ainda meu próprio reflexo, como uma tácita chamada de consciência: "se toca!!!".
E depois disso tudo ainda querem que eu sorria...

10 comentários:

fabiana disse...

Genial. Odeio essas câmeras dos tempos de violência. Era tão bom quando a gente tinha esses momentos a sós com nós mesmos...

João Manoel Nonato disse...

A presença da câmera não o impede de fazer tudo isso. É questão de bom senso, e amor à sua vida social.

Mas curiosamente nunca morei em prédio com câmera no elevador (ou era bem escondida)...

samanta fonseca disse...

você sempre fala de necessidades fisiológicas nos textos.

Felipe Drummond disse...

é porque os textos, se não são uma delas, muito se assemelham a uma delas :P

João Medeiros disse...

a terra onde mora o peter pan fica entre a vila e o maracanã

Paula disse...

Não mais... Sorrirei em resposta, sem propósito. =)

Antonia disse...

Não gostaria de morar no mesmo prédio que você.
Não antes da câmera, pelo menos ;)

Levy Cunha disse...

Foucault discorda de você

Lex disse...

Que massa! huhuhu =]

Terra disse...

Eu gosto das cores do seu blog.