GUIA DE LEITURA

Se você me perguntasse quais textos ler, eu diria para CLICAR AQUI e achar uns 20 e poucos que eu classifiquei como os melhores. Mas vão alguns de que eu particularmente gosto (e que fizeram algum sucesso):

Caritas et scientia
(as saudades da minha escola)
A-Ventura de Novembro
(o retrato de um coração partido)
Vigília
(os sonhos nos enganam...)
Sairei para a boate e encontrarei o amor da minha vida
(ou "elucubrações esperançosas")
(a afeição por desconhecidos)
A tentação de Mãe Valéria
(trago a pessoa amada em três dias)
A nostalgia do que não tive
(a nostalgia do que não tive)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

E TUDO TERMINA EM...

Era madrugada e não chovia. Chegou à delegacia um homem, fortinho, com seus 25 anos, acordou o funcionário de plantão e avisou rapidamente que estava indo para a sala do delegado, recebendo como resposta grunhidos indecifráveis. Rumou ao fim do corredor e, esmurrando a porta do Dr. Silveira, desatinou a falar para o também dorminhoco delegado, sem perceber que esse estava passeando nos recantos do inconsciente, numa Pasárgada onde os delegados podem dormir à vontade.
- Dr, eu matei uma pessoa.
- Mmmmm, aaaaahhh... só daqui a pouco, vai.
- É o senhor quem sabe.

Sentou-se na cadeira impaciente, enquanto o delegado ajeitou-se na poltrona, encostando sua cabeça no estofado, sem antes coçar seu sobressalente papo. Depois de ver o delegado roncar e até mesmo babar, o cidadão resolveu pronunciar.

- Delegado, eu matei uma pessoa. Vim aqui confessar, oras!
- Confessar o que... eu lá tenho cara de padre? - respondeu o agente da lei, tentando emergir ao estado de vigília.
- Doutor... você pode achar estranho, mas... eu matei o padre!

O delegado esboçou um franzir de sombrancelhas e repetiu, sílaba por sílaba, sem demonstrar qualquer exaltação digna da comoção esperada pelo assassinato do padre do bairro.

- Vo-cê-ma-tou-o-pa-dre?
- Matei. A pauladas.

O delegado levantou-se da cadeira, ajeitou o colete, respirou fundo e pronunciou-se a respeito.
- Ahn... bem... vamos fazer o boletim de ocorrência.
- Mas eu não vou ser preso? - perguntou o assassino com uma pontinha de esperança.
- Calma calma, vamos por partes.

O delegado sentou-se à máquina de escrever e começou a datilografar. "Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1971" Sonolento que estava, demorou a perceber que a máquina estava sem papel.
Abriu a primeira gaveta e tateou-a em vão. Abriu outra gaveta e nada.

Olhou para a máquina, a máquina olhou para ele. E nada. O delegado virou-se para o criminoso confesso e fitou-o com um olhar insípido, como se estivesse diante de um "ladrão" de amostra grátis de supermercados, aqueles que pegam várias vezes a amostra para não ter que comprar o produto. Abriu a boca, mas hesitou em falar. Respirou fundo e disse em ar solene.

- Olha, meu filho, estamos sem papel para fazer o BO. Se você puder voltar amanhã, em horário comercial, eu ficaria agradecido.
- Mas doutor...! - falou o assassino, estupefato com o que ouvira.

Talvez o delegado fosse inimigo do padre. Talvez fosse anti-eclesiástico. E talvez fosse o sono o responsável por tamanha indiligência. Ou talvez fosse a fome. Fato é que o delegado, sempre que acordava, tinha uma fome da pesada.

Abriu sua agenda de telefones e ligou para a pizzaria mais próxima. Nessa hora, o funcionário de plantão e seu estômago já estavam bastante despertos. Cordial como só, o delegado ofereceu antecipadamente o alimento ao subalterno e ao homicida.

- Vocês aceitam?

Não tardou e todos compartilharam do mesmo pão (com queijo, orégano e outras coisas em cima). E o vinho? Bem... se a igreja mais próxima, onde naquela exata hora putrefazia-se o corpo do padre, não fosse tão longe, era só ir lá buscar que a ceia estaria completa. Ninguém iria notar mesmo.

5 comentários:

Antonia disse...

AHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAH muito nada a ver.

Renato Bacha disse...

CARA...VOCE EH MEU IDOLO
HAHAHAHA
ABRACO

Mitidieri disse...

genial.
ponto final.

Paula Flores disse...

Esse foi MUITO bom Druds querido. MESMO. Precisava ler algo inteligente nesse momento mesmo. Beijos.

Edson Boia disse...

Está no seu subconsciente, esse seu nonsense?
Seja delegado ou governante, quem puder que avance,
Onde tudo acaba em pizza, se for lócus de poder.
É onde o pobre se iça se laranja quiser ser...