GUIA DE LEITURA

Se você me perguntasse quais textos ler, eu diria para CLICAR AQUI e achar uns 20 e poucos que eu classifiquei como os melhores. Mas vão alguns de que eu particularmente gosto (e que fizeram algum sucesso):

Caritas et scientia
(as saudades da minha escola)
A-Ventura de Novembro
(o retrato de um coração partido)
Vigília
(os sonhos nos enganam...)
Sairei para a boate e encontrarei o amor da minha vida
(ou "elucubrações esperançosas")
(a afeição por desconhecidos)
A tentação de Mãe Valéria
(trago a pessoa amada em três dias)
A nostalgia do que não tive
(a nostalgia do que não tive)

terça-feira, 13 de março de 2007

O QUE VALE É A INTENÇÃO?

Gostaria de trazer à reflexão o seguinte assunto: até que ponto pensar em fazer algo se compara a de fato fazê-lo?
Exemplificando: desejar trair é tão grave quanto trair? Desejar matar é tão grave quanto matar? Desejar ajudar é tão louvável quanto ajudar?
Devolvo as perguntas transformando em interrogação um discurso comum no contexto de aniversariantes que deparam-se com presentes mixos: O que vale é a intenção?

Dar a mesma resposta a cada uma das inúmeras situações em que essa pergunta é cabível seria uma generalização incrivelmente tola, portanto, trarei alguns casos à discussão, a começar pelo primeiro exemplo.

I. O PRESENTE INDESEJADO
Pr-s (pre-scriptum): pergunto-me se com 5 anos, a criança já faria esse questionamento... será?

O aniversário de cinco anos traz consigo o deslumbramento de completar uma mão inteira na contagem das "primaveras", assim como a sensação de grandeza, imponência, afinal, são cinco anos! Festa de aniversário, bolo, guaraná, muitos doces para você. E, claro, como não poderia faltar, presentes. Depois daquela farra toda de correr, pular, brincar, cantar, comer e receber os cumprimentos de todos, chega a hora de abrir os tão esperados presentes, tão sonhados desde o último aniversário. A ordem de abertura é sempre a mesma. Primeiramente, abrem-se os embrulhos grandes, que aparentam ter caixas dentro e que, quando sacudidos, fazem barulhinho de plástico batendo por dentro. Geralmente, esses embrulhos costumam ter brinquedos dos bons. Em seguida, é a vez dos embrulhos menores, mas que ainda aparentam ter caixas e fazem o famigerado barulhinho. Esses tem brinquedos do tipo cacareco, exceto se for Lego. Por último, vêm os embrulhos moles, macios, que geralmente contêm os presentes que nenhuma criança quer receber: roupas. A decepção é instantânea e arrasadora com esse tipo de presente, que geralmente, é dado por pessoas de certa idade, como tias-avós e avós.

Se a criança ainda tem sua sinceridade aflorada, é natural que ela se manifeste claramente sua decepção com o presente que ganhara. Nessa hora, pode vir um pai, uma mãe, ou um irmão mais velho consolar o pequeno decepcionado. Após um breve e ineficaz discurso sobre o valor das roupas, sua utilidade prática e a beleza do presente ganho, é possível que se chame o recurso de dizer que o que vale é a intenção, a fim de que a criança não fique chateada com aquela tia-avó que deu o presente

É razoável? Sim, afinal, a dileta senhora teve o carinho de comprar alguma lembrancinha e, provavelmente, jamais passou por sua cabeça o desejo de desapontar o pequeno. Na verdade, ela apenas foi infeliz em comprar a lembrança , talvez porque na sua época roupas eram presentes que crianças gostavam, evidenciando aí a diferença de gerações, ou porque escolher uma roupinha que fique engraçadinha é mais fácil do que optar por um brinquedo dentre muitos numa loja infantil de grande variedade. Numa próxima vez, ela acerta!

II. DE BOAS INTENÇÕES, O INFERNO ESTÁ CHEIO
Com lugar cativo no hall das frases feitas, essa sentença resume o comportamento de muitas pessoas que, por mais que desejem fazer boas ações, acabam desvirtuando-se da intenção original por várias razões. Há os preguiçosos, para os quais tudo só funciona da boca pra fora e que, quando se vêem diante de pôr em prática tudo o que preconizam, preferem ficar sentados na cadeira, só coordenando. Há também os covardes, que na hora H amarelam, inibidos por n outros motivos. Para esses, meu pesar: de que adianta ter uma boa intenção se ela não é honrada?
Não podemos nos esquecer, porém, dos desajeitados e azarados, que tentam, tentam mas não conseguem chegar aonde precisam e aí fracassam. Seria injusto não levar em conta a perseverança e a atitude da pessoa e, para esse caso, acho que é válido aceitar sua boa intenção e dar-lhe uma outra chance para o acerto.

III. PUNE-SE A TENTATIVA?
Depende. Analisando pela lei, vemos que a tentativa não é punida quando o crime não se consuma por ineficácia absoluta do meio ou impropriedade do objeto, isto é, quando não há maneiras disponíveis no momento de se praticar o crime. É como tentar matar alguém a petelecos. É diferente, portanto, de alguém que atira em outro a fim de matar, mas o tiro pega na perna e a vítima sobrevive.
Considero que a mente criminosa não é ocasional ou aleatória. Às vezes, desejar matar alguém acontece em momentos de raiva, insatisfação e etc, mas controlamo-nos suficientemente para que isso passe sem maiores resquícios. No entanto, isso pode persistir a ponto de gerar agressividade, hostilidade e outros "ades" que perto de armas - brancas ou de fogo - criam um meio de alta eficácia e aí não será punida a tentativa, mas sim o crime consumado. É bom não esquecer que as ações práticas sempre começam em pensamentos.



Ando meio frustrado com a baixa participação de meus queridos leitores, que nas últimas mensagens não me presentearam com seus comentários. O que tem acontecido?

PS: A título de curiosidade, informo que esse texto foi elaborado ao longo de quatro meses. Intenção persistente a minha, não?


(Ouvindo: Deep Purple - Strange Kind Of Woman
Radiohead - Paranoid Android)

7 comentários:

Gina disse...

Beleza de reflexão!
E na minha opinião, sim, "o que vale é a intenção", mesmo porque a não-consumação pode ser apenas resultado de covardia, ou falta de oportunidade, ou falta de meios. Na minha humilde opinião, nem sei o que seria pior... ou melhor! hehe...

luiz rosemberg disse...

se uma pessoa pudesse ser considerada culpada pelo simples pensar de um ato então também deveriamos condenar a cadeia um cachorro que morde alguém.por que não fazemos isso?porque o cachorro é irracional,e portanto irresponsável pelos seus atos.nós pelo contrário,quando praticamos um ato agimos racionalmente ou seja refletimos sobre ele antes.mas quando nós pensamos algo nós refletimos sobre esse pensamento previamente?não,porque o pensamento é espontaneo,ou seja irracional,e é a partir desse pensamento espontâneo,irracional, q surge a razão,a ação racional.condenar alguem por pensar é simples censura e se nós não pensarmos em matar alguem e decidirmos espontaneamente nao matá-lo seremos realmente livres?
Isso pra naum falar d aboa e velha definiçao de liberdade,q eh qd vc busca a sua felicidade sem influir na felicidade dos outros.como o pensamento naum interfere na felicidade de ninguem entaum naum deve ser coibido.desculpas pelo texto porcamente escrito e pelos erros gramaticais

claudia disse...

Gostei da reflexão. Para mim, intenção só não tem valor, nem para o bem nem para o mal. O impulso não concretizado de fazer o mal pode ser em razão de falta de coragem ou de controle, não importa. Já para o bem, a intenção apenas é um ato frustrado, e frustante.

mari mari disse...

boa reflexao =D eu acho que o que realmente vale é a intençao...e senti um pouco de relato pessoal na hora de balançar as caixas grandes de presente =P

Edson Boia disse...

Desejar matar não é tão grave quanto matar; mas, desejar ajudar é tão louvável quanto ajudar. No primeiro caso, o arrependimento de ter matado não traz a vítima de volta à vida e, no segundo caso, o simples desejo de ajudar sem poder, de fato, ajudar não piora a situação de quem necessita de ajuda.
Em relação ao desejo de matar, lembrei-me de um conto da minha época de adolescente: trata-se d’O engraçado arrependido’ contido no livro Urupês, do Monteiro Lobato. Monteiro conta a estória de um tal Pontes que decide matar o major Bentes para poder ocupar o seu cargo na coletoria federal. O crime perfeito seria fazer o major, que sofria de sérios problemas cardíacos, morrer de rir. Como Pontes era um exímio contador de piadas, depois de algumas tentativas, conseguiu o seu intento.
Nesse caso, qual seria o julgamento?

Felipe Drummond disse...

Problema difícil esse, hein Boia?

Acho que esse crime é premeditado, hediondo, doloso é claro, mas jamais seria visto como tal dada a impossibilidade de provar isso tudo.
Sendo assim, se eu fosse um juiz, não saberia das intenções do cara e daria a absolvição.
Agora, se eu fosse um deus, onisciente, e pudesse julgar e condenar as pessoas, esse ia arder no mármore do inferno, safado!

Julia disse...

Puxa quase não tenho entrado na internet...E ja tive problemas na internet pra comentar...
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Eu acho que a intençao realmente, dependendo do ponto de vista, vale muito.Na hora de ajudar a intençao é sempre bem vinda.Pode até ser que nao ajude na situaçao real,mas pode acabar ajudando como inspiraçao e apoio.Ja na hora de matar,machucar,sao pensamentos muitas vezes irracionais e até mesmo por isso não chegam a ser concretizados ou percebidos pelo proximo,ao contrario da ajuda.
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